A Obra Cultural da FUNIBER e da Universidad Europea del Atlántico (Universidade Europeia do Atlântico, UNEATLANTICO), em conjunto com a Fundación Canaria para la Acción Exterior (Fundação Canária para a Ação Exterior, FUCAEX) do Governo das Canárias e Casa África, apresentam em Praia, Cabo Verde, a exposição “O Enterro do Conde de Orgaz (El entierro del conde de Orgaz)”, do artista espanhol Pablo Picasso.
A exposição está localizada na sede da FUCAEX, na cidade de Praia, e permanecerá aberta até 12 de março. A exposição foi inaugurada pelo Presidente da República de Cabo Verde, José Maria Neves, dando continuidade às mostras de Joan Miró, organizada em 2023 e a de Salvador Dalí, organizada em 2024.
Com esta iniciativa, a FUNIBER, por meio de sua sede em Cabo Verde, e em colaboração com a FUCAEX, contribuem para a Cultura e para o setor das Indústrias Criativas de Cabo Verde, oferecendo ao público a obra de Pablo Picasso, marcada por sua genialidade e imaginação provocadora, uma oportunidade única de contemplar obras do artista espanhol que transformou o cenário da arte contemporânea.
Sobre a coleção “O Enterro do Conde de Orgaz”
“O Enterro do Conde de Orgaz” é composto por um conjunto de 13 gravuras, feitas entre 1967 e 1968, que se apresentam como parte visual de um experimento de escrita surrealista automática conduzido por Picasso e uma proposta do poeta espanhol Rafael Alberti para uma publicação conjunta.
O conjunto em si mantém estreita relação com a obra pictória de Picasso, uma pintura traduzida em palavras, uma vez que compartilha a mesma natureza picassiana, a mesma espontaneidade e o mesmo traço leve característicos de sua pintura. É um poema em prosa de cunho surrealista, no qual se utiliza a técnica da escrita automática, dispensando sinais de pontuação, produzindo um fluxo contínuo de pensamento em que as ideias fluem, cenas costumbristas da infância entrelaçadas com imagens de caráter surrealista e o erotismo, entre outros aspectos. Encontramos um Picasso nostálgico que anseia por sua infância —e provavelmente pela Espanha após trinta anos de exílio—, por Goya, As Meninas (Las Meninas), Coubert, o jogo do gori gori, a noite de San Juan, etc.
De acordo com Federico Fernández, diretor da Obra Cultural da FUNIBER e da UNEATLANTICO, a coleção “mostra o conhecimento de Picasso das técnicas do grupo de André Breton, e a prova disso é a escrita automática que é publicada em fac-símile acompanhando a série de gravuras e que é datada de 1939. Talvez seja uma série para conhecedores, uma experiência surrealista do Conde de Orgaz, onde o erotismo tem prioridade”.
Nesta obra, Picasso explora o novo universo sensual que encontra na trombeta magnífica, adotando um estilo direto, informal e quase automático, como a escrita desta obra, mantendo, ao mesmo tempo, o universo de seus temas e personagens. As pessoas que assistem ao funeral do Conde —a obra universal de El Greco— são substituídas por voyeurs que observam as cenas eróticas por trás das cortinas, nas quais, como Hitchcock fez em seus filmes, o autor aparece como personagem em pelo menos uma cena. Por trás da cortina, os personagens emergem em uma mistura atemporal e sincrônica do real e do imaginário, onde faunos, ninfas, o próprio Goya, mulheres nuas, acrobatas, personagens do século XVI, anões, cupido, o próprio Degas e toda a vasta tropa da imaginação de Picasso coexistem em suas cenas.



